sábado, 8 de março de 2008

Barbárie

Enquanto a cidade vive momento crítico no setor de segurança pública, em que o policiamento preventivo dá mostras de fragilidade e registram-se furtos de veículos e assaltos em residências e estabelecimentos comerciais, o tenente Luciano Romão, que seria comandante da ROTAM do 19º BPM de Toledo, está sendo acusado de um caso gravíssimo de agressão na madrugada de ontem, por volta das 3:00 horas, em frente a uma casa noturna, no Jardim Porto Alegre.

O jovem Vinícius Guis, 21 anos, foi agredido com socos e chutes desferidos pelo oficial. O rapaz conseguiu fugir, foi perseguido pelas imediações e teria pedido socorro a uma viatura da PM que patrulhava nas imediações, mas neste momento, o oficial e mais dois homens não identificados, supostamente policiais, vieram em sua direção com arma em punho e sob a ameaça de atirar, novamente abordaram o rapaz, que foi agredido de novo, até que conseguiu fugir e esconder-se em uma propriedade, até que os agressores deixaram o local, uma hora mais tarde. A vítima foi socorrida por um dos proprietários da casa noturna e encaminhada para a Casa de Saúde Bom Jesus, onde foi medicada. Na manhã de ontem, a vítima compareceu na 20ª SDP para registrar queixa de lesão corporal contra o oficial e à tarde realizou exame de lesão corporal no Instituto Médico Legal. O motivo da agressão teria sido, segundo a vítima, porque estava na companhia de uma ex-namorada do tenente Romão, uma jovem conhecida pelo nome de Daiane, que pediu carona a Vinícius quando este deixava o local.


O caso gerou revolta pela brutalidade como ocorreu e a falta de apoio à vítima pela viatura da PM no momento em que ela era perseguida, o que acabou gerando uma segunda agressão. Vinícius é filho do proprietário do jornal Gazeta de Toledo, Sérgio Guis, que estava inconformado com o fato e disse que irá cobrar dos representantes públicos e estaduais uma providência enérgica para que fatos como este não sejam mais registrados.



Segundo Vinicius, “eu saía do estabelecimento, quando o tenente Romão me abordou e questionou-me porque eu estava com a garota. Eu disse a ele que não tinha nada com ela e apenas estava lhe dando uma carona, uma vez que a amiga dela já havia deixado o local e ela precisava ir embora. Neste momento ele quebrou um copo, jogando-o contra o chão e em seguida partiu para cima de mim, agredindo-me com socos e pontapés. Havia mais dois homens com ele, que não sei quem eram. Para não apanhar mais, saí correndo em direção à Churrascaria Trevo, onde ao lado tem um terreno vago e tentei me esconder. Quando vi a presença de uma viatura da Polícia Militar fui em direção a eles para pedir ajuda. Me identifiquei, mas nisso um dos rapazes, que não sei quem é, vinha correndo em minha direção com uma arma em punho apontando contra mim. Achei que os policiais iam intervir, mas isso não aconteceu e tive novamente que correr. O homem continuou correndo atrás de mim com a arma na mão, momento que disse: “Pare, senão eu atiro!” Foi quando eu parei e eles começaram a me agredir novamente. Fugi novamente, pulando muro e cerca de propriedades, até que me escondi no meio da vegetação de uma casa e eles ficaram me monitorando por uma hora. Quando eles foram embora, um dos proprietários da casa noturna me socorreu e me levou para o hospital. Foi terrível!”, relatou o rapaz.



Versão do Tenente


Procurado na tarde de ontem por esta Gazeta, o tenente Luciano Romão negou a versão da vítima e disse que ele é quem foi agredido quando saía do estabelecimento. “Eu tinha visto ele e um amigo no banheiro em atitudes suspeitas e avisei os seguranças da casa. Acho que ele não gostou e quando eu fui embora, ele me esperava pelo lado de fora, próximo do meu carro, apontou com o dedo para mim dizendo que eu deveria parar de fazer comentários sobre ele, porque eu me daria mal. Ele ficou na minha frente, impedindo a minha passagem e daí em empurrei ele e ele bateu com um objeto no meu braço, não sei se era a chave do carro dele, o que era e aí a gente acabou entrando em luta corporal. Eu só me defendi.” Quanto aos outros dois homens que o acompanhavam, segundo declaração da vítima, o tenente Romão disse não ter visto qualquer envolvimento com o caso, pois tinha muita gente no local naquele momento e desconhece alguém ter corrido atrás do rapaz com a arma em punho, mas confirma que houve a segunda agressão.

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