domingo, 3 de maio de 2009

A nova tecnologia Descartável

Autora: Mayara Martan

“Vende-se máquina de última geração! Não é preciso energia elétrica, nem uma parafernália de fios nem impressora. Ao apertar suas teclas ela já imprime, automaticamente...” Sim... para você que já separou R$ 10 mil reais para comprá-la eu digo: parece piada, mas se trata de uma máquina de escrever. Econômica e com a mesma função do computador. Certo...meio exagerado, mas o fato é que é real. Já dizia um amigo meu...
Hoje a tecnologia nos ilude como uma paixão platônica. Nunca a alcançamos...quando pensamos que finalmente conseguimos, ela nos dá uma rasteira, nos mostrando que ela está muito longe de nós. Voltamos ao ponto inicial: o desejo de ter sem poder.
Lembro meus tempos de criança, quando meu avô mostrava aquelas maravilhosas velharias, como a televisão de madeira, pesada, enorme e com aquele chuvisco em cinco dos oito canais. Contudo, era só colocar uma esponja de aço na ponta daquela enorme antena e estava tudo resolvido! “Que maravilha de imagem”. Hoje temos televisores de incontáveis polegadas que sequer necessitam de uma estante de mogno comprada em dez parcelas nas Casas Bahia: são os televisores de plasma, com milímetros de espessura, gigantes e leves, sem chuvisco, sem antena, conectadas via satélite por sinais eletromagnéticos. É...a tecnologia é realmente extraordinária.
Que dizer dos telefones celulares que servem para tirar fotos de celebridades em momentos indiscretos, namorados em lugares que não deveriam estar, ou o primeiro sorriso do filho mais novo? Ah! Também é utilizado para falar, de vez em quando. Ao comprarmos o último Nokia ou Motorola, com tecnologia 3G, câmera de 5 mega pixels, com capacidade de armazenar 5000 números de telefone na agenda telefônica, mais um cartão adicional de 4 GB, com tela touch screem de 5 polegadas... No outro dia será lançado um modelo com no mínimo o dobro da capacidade por R$ 1000,00 a mais? E nos sentimos as pessoas mais imbecis do mundo, por não ter esperado, porque claro que iriam inventar algo melhor! O fato é que por mais que tentemos, nunca estaremos completamente com a ultima geração de celulares ou de notebooks, veículos com GPS ou câmbio automático. Sempre existirá algo melhor. Talvez a resposta para tudo isso seja: comprem esses bens duráveis até o próximo lançamento. E será logo... eu diria até “será logo depois que você fechar esta compra”.
Nossos avós compravam móveis e eletrodomésticos para a vida toda. Quem nunca viu aquela geladeira Prosdócimo azul com pezinhos de metal? Ou aquele forno elétrico que a vovó faz bolos incomparáveis? Passados de mãe para filha até poucos anos atrás? Hoje as pessoas compram sabendo que em pouco tempo irão comprar de novo algo melhor. Que seriam das lojas e funcionários se vendessem bens duráveis para toda a vida? O que venderiam depois? Sorvete seco na saída de algum estádio... Ou doce de abóbora? Deixa quieto...
É o mesmo que falar dos casamentos de hoje que podem ser definidos como impulsos estimulados pelo desejo carnal e pela paixão arrebatadora que mora nas curvas das mulheres e nas contas de banco dos homens. Os padres logo irão mudar o discurso de felizes para sempre e até que a morte os separe por “os declaro marido e mulher até que os advogados os separem”, ou “os declaro marido e mulher até que aquele pedaço de mal caminho da secretária diga sim para você Carlão, ou o Roberto marombado rato de academia vá trocar a lâmpada da sua casa Suzana”...mas isso fica para o próximo artigo...
Não quero, contudo, dizer que a tecnologia não é importante...o texto trata apenas do comportamento compulsivo das pessoas que pela ânsia de serem os primeiros a comprar o televisor de penúltima geração (porque a última geração nunca será feita...sempre terá uma geração posterior) corre para uma loja e faz uma dívida astronômica por um ano ou mais para se sentir bem por ter adquirido algo novo. Tudo é descartável hoje em dia, ou pelo menos é a idéia que nos querem passar.
Bom... Compulsivos ou não continuaremos com essa competição contra o mercado por toda a vida: quanto mais fabricarem, mais iremos acumular carnês em casa. Só espero que não aconteça como na moda: que a cada época volta aos anos anteriores. Imagina só você chegando com a super máquina que não utiliza energia nem precisa de impressora e a coloca do lado do seu super computador de última geração, porque a moda agora é outra? Com tantas idas e vindas, seria no mínimo hilário...mas real.

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