segunda-feira, 28 de abril de 2008

Minhas crônicas Parte V

Grandes ilusões do ser humano

É engraçado pensar nos nossos objetivos de vida. Geralmente o pai, médico, almeja um futuro igual para o filho. Bem como o engenheiro ou o bem sucedido empresário. É claro que nem chegam a perguntar para o filho se é isso que ele quer, pois a condição de pai, e o poder que (pensam) possuir, lhes dão o direito de decidir sobre o futuro de seu primogênito. E assim acontece em todos os outros segmentos da sociedade, da vida. Na verdade as tomadas de decisões são grandes ilusões, assim como a liberdade, o controle, o poder. Até mesmo o amor é uma grande ilusão. Não somos donos nem do nosso “coração”. De repente nos vemos hipnotizados por alguém e nos tornamos totalmente dependentes dela(e). Nesse momento já perdemos todo controle sobre nossas ações, sobre nosso discernimento, nossa tolerância. Nós mudamos completamente por uma causa muitas vezes perdida. Digo perdida, pois da mesma maneira, rápida e instantânea, que nos tornamos dependentes de alguém, deixamos de ser. É assim, sem explicação. Ás vezes, até sem nenhum motivo... É como dizia Renato Russo em uma de suas canções, e segundo ele, a mais bela canção que gravou “Quem inventou o amor, explica, por favor...”.
Liberdade... Taí uma coisa que não existe em sua totalidade. As pessoas têm o livre arbítrio. Podem escolher o que querem fazer e de que forma, mas isso sempre está ligado a conceitos pré-estabelecidos. Então, volta-se a estaca zero: você escolhe o que é bom (ou ruim) perante a sociedade. Comecemos por algo totalmente superficial: o corpo. Nascemos nus, porém se alguém sair nu em lugares públicos será preso por “Atentado Violento ao Pudor”. Não usamos mini-saia na Igreja porque a sociedade acharia um absurdo. Mini-blusa é para pessoas magras. Aliás, ser magro significa ser aceito. Hoje o padrão estético de beleza é ser “slim”, ou seja, magro. Para tudo há limitação. E essas limitações estão de acordo, é claro, com aqueles mesmos conceitos pré-estabelecidos pela sociedade. É o que podemos perceber no filme “Instinto” protagonizado por Anthony Hopkins. No filme existe a clara divisão do que você tem controle e do que você pensa ter controle. As pessoas se enganam demais. Liberdade, controle, poder, são sempre ilusões. Mas no filme existe mais do que as simples expressões de controle, liberdade e ilusões. Existe algo a mais, algo de como “viver”. Aprender a viver. Viver com as coisas simples. Sentir-se aceito em meio a desconhecidos. Entre espécies diferentes. Mas existe algo maior, chamado sistema, que nos controla desde o nosso nascimento. Em tempos de ditadura até o pensamento era direcionado. Não fazemos algo porque nós achamos ou não certo, e sim porque fomos ensinados dessa maneira. E quem nos ensinou foi ensinado assim e assim por diante. É um ciclo vicioso que sempre volta pro mesmo lugar: o sistema.
Geralmente as pessoas só dão valor a algo ou alguém quando perdem. Por quê? Porque elas sempre acham que possuem o controle da situação. E quando acontece o contrário, elas ficam frustradas. E isso deprime o ser humano. Deprime tanto que, às vezes, este chega a exteriorizar ações completamente absurdas. Ontem mesmo eu estava assistindo ao programa “Sem Censura” com Leda Nagle, na TVE, e ela levou uma psicóloga paulista (que não me lembro bem o nome no momento) e ela estava falando sobre o controle. Sobre quando a pessoa se embriaga e perde o controle a ponto de agir de maneira impensada. Ela explicou que existem várias formas e várias razões para que uma pessoa perca o controle e que é uma coisa tão rápida que quando se pára para pensar no que se está fazendo, a pessoa já fez. Após, vem o arrependimento. Logo essa pessoa está depressiva. E assim a vida desse indivíduo acaba.
Talvez esse seja o grande ponto a ser discutido. É preciso tanto controle? Tanto poder? Tanta auto-afirmação? Tanta prepotência? É difícil que as pessoas vivam em paz sem que as diferenças entre elas prevaleçam? Que existem pessoas interesseiras, que não medem esforços para se mostrarem melhores do que outras, existem. Mas daí a tornar isso uma obsessão já é demais. Esse exagero já é a perda do controle.
Certa vez um amigo meu disse “as coisas essenciais da vida a gente não compra: amor, felicidade, paz, humildade, honestidade...”. Isso deveria ser levado mais a sério. Da mesma maneira que não se é possível comprar o essencial, não é possível ser o dono da liberdade dos outros, nem do próprio controle. Mesmo porque as pessoas quando têm “liberdade” demais, abusam e acabam ultrapassando os limites. Ou seja, nem que fosse possível que todos tivéssemos liberdade, não daria certo porque sempre teria um indivíduo que estragaria todo o resto. Sempre há uma pessoa que não está satisfeita com sua condição e torna isso um motivo para mostrar autoconfiança e prepotência, além de sua ganância para o restante.
O filme serve como um bom exercício de reflexão. Eu indico. Com que faculdades? Apenas a pouca experiência de vida. Mas tudo que vem para trazer mudanças melhores, deve ser passado adiante. Tudo que venha a trazer o mínimo de esclarecimento sobre o comportamento humano é válido.

Nenhum comentário: