Metamorfose Humana
É engraçado pensar em quanto mudamos nos últimos tempos. A vida não passa de um grande brinquedo, que pode quebrar a qualquer momento, ou evoluir em termos de tecnologia, ser transformado em algo muito melhor. E quando isso acontece, àqueles velhos brinquedos são esquecidos, largados às baratas.
Por que nossos pais e avós têm tanta saudade do “seu tempo”? Será que era tão bom assim? Em um tempo no qual não existiam TV’s coloridas gigantescas, de plasma, ou seja lá que tipo de material novo, computadores, Internet, orkut, MSN, DVD, MP3, carro de luxo... Mas, com todas as dificuldades, eram felizes. Brincavam de esconde-esconde, siga o mestre, quebra cabeça, pipa, pião, escreviam aquelas cartas enormes, faziam caligrafia. Acordavam cedo para trabalhar na roça, vendiam banana de casa em casa, eram coroinhas, iam à Igreja com roupa de ir à Igreja no domingo, não comiam mais de uma vez na casa dos outros, apanhavam de vara de marmelo e, quando apenas um aprontava, apanhavam todos que era para servir de exemplo.
Hoje os tempos são outros. Crianças respondonas, com celular de última geração, no qual a função menos importante é a de falar... Carros Tunning, e-mail, GPS e toda uma parafernália tecnológica que distancia cada vez mais as pessoas e não o contrário como se pensa. Hoje se valoriza muito mais a máquina do que o ser humano. A vida se tornou uma verdadeira fogueira das vaidades. O respeito vai até o momento em que o outro tem o mesmo que você. Daí pra frente vale qualquer coisa para ser o melhor. A velha história da valorização do TER em detrimento do SER. Para ser feliz você deve ser aceito pela sociedade, que sabe ser cruel àqueles que não correspondem às suas expectativas.
Será uma utopia pensar na valorização da família antes de qualquer outra coisa? Até quando teremos que sustentar essas idéias consumistas que estão à flor da pele de todos os cidadãos,? É difícil saber, pois é tanta informação nova chegando a nós, que precisamos cada vez mais rapidez e agilidade no transmitir. Há um estresse enorme entre as pessoas que não têm tempo de parar para pensar, conversar, descansar... E a sociedade morrendo aos poucos.
O pobre não é considerado um ser humano. Tampouco ganha respeito. Onde estão os direitos humanos? Para que servem senão para defender estes que não tem a quem recorrer? Estamos cansados de saber que a sociedade é uma grande difusora de hipocrisia e cheia de falsos moralistas. Uma sociedade doente e corrupta, susceptível a todo mal que o dinheiro sujo traz. Hoje as pessoas têm preço. O rico tem dinheiro, o pobre tem valores. É claro que não são todos, mas a grande maioria, que vive de bico e vê seus filhos passando fome, mas não vai assaltar a primeira esquina por desespero.
Realmente concordo com Raul Seixas. Também prefiro ser essa metamorfose ambulante, aberta a mudanças que ocorrem todos os dias no mundo. “Não quero ter aquela opinião formada sobre tudo”, mas ainda sim, concordo com muitas dos valores “de antigamente”. A sociedade não vai mudar de um dia para o outro, mas se a metamorfose começar hoje, quem sabe a sociedade saia do seu casulo, fechado e quentinho, e venha olhar o mundo.
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