O silêncio e o barulho
Já repararam como os orientais são famosos pela maioria das coisas que têm e produzem? Carros sofisticados, aparelhos de som, televisores... Enfim, sua tecnologia está entre as melhores do mundo. Mas não é sobre esse aspecto dos orientais que eu quero me referir neste momento e nem apenas dos japoneses ou chineses, pois geralmente essa etnia é a primeira a vir em mente. Quero me referir também aos indianos e adeptos do budismo, praticantes de ioga e etc. Em suma, ao poder de controlar suas palavras e saber silenciar. Lembro-me daquele adágio que diz que “a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro”.
Hoje em dia não existe o silêncio. Estamos rodeados de palavras e de poluição sonora de todos os tipos. Parece pleonasmo e um tanto óbvio, mas “onde há barulho não se ouve o silêncio”. “Ouvir o silêncio”... Interessante já que o meu caro leitor conclui antecipadamente e, desesperadamente, que o silêncio não faz barulho! Portanto, seria impossível ouvi-lo, certo? Errado. É aí que mora o engano. Às vezes o silêncio é ensurdecedor. Isto por que, geralmente, quando se fica em silêncio, o que trabalha é a consciência. O corpo pára, o cérebro não. Tudo aquilo que se encontra no subconsciente vem à tona. Se for bom, ótimo. Se for ruim, nem mil fanfarras poderão fazer tanto barulho quanto os pensamentos ou a reflexão. Eduardo Queiroz afirma que ‘O silêncio é basicamente um efeito acústico, ao contrário do que imaginamos, ele existe somente onde sons podem ser ouvidos.
“Seja dono de seu silêncio para não virar escravo de suas palavras”. Provavelmente desta, nenhum adolescente escapou. Cito adolescentes porque, geralmente, quando se é adolescente, tudo o que se quer é ter uma boa resposta na ponta da língua. Dessa forma, parecer o que não é. (Neste acaso uma pessoa bem resolvida e inteligente o suficiente para se sentir um adulto.) Mero engano. Posso citar alguns motivos pelos quais deve se preferir o silêncio ao barulho (ou a qualquer manifestação que não seja o silêncio, seja ela dita ou expressa de outra forma) provindos de provérbios: “Quanto menos a pessoa fala, menos erra” (autor desconhecido); “Você jamais terá de explicar alguma coisa que não disse” (autor desconhecido); “Um tolo diz aquilo que sabe, um sábio diz aquilo que diz” (Rabi Simcha Bunim), “O ignorante afirma; o sábio duvida; o sensato reflete” (Aristóteles)... Poderia pontuar mais alguns, porém todos querem exprimir a mesma coisa: o valor do silêncio, para que a partir dele, exista a reflexão.
Quando uma pessoa se cala não significa, via de regra, que ela esteja de mal com o mundo (inclusive com você!). Pode ser um momento de reflexão necessário a todo ser humano. Os indianos, os budistas, os praticantes de ioga, usam o tempo disponível (e se não existir um tempo disponível eles arrumam um...) para refletir, esvaziar a mente até que cheguem ao estado de paz espiritual, o qual eles chamam de nirvana. São tranqüilos, pensam antes de falar, falam apenas o necessário, não se desgastam a toa... É por isso, talvez, que o nível de stress entre essas pessoas pacíficas é mínimo. E além disso, pessoas que tem esse diagnóstico devem procurar exercícios que os acalmem, geralmente ioga é indicado. O exercício da reflexão e conhecimento do seu “eu” através do silêncio deveria ser melhor estudado, já que o resultado desse tipo de prática é positivo. Àqueles que falam demais, além de cansar quem escuta, erram em 50% do que falam, em suma. Isso porque geralmente, quem fala demais, quer provar para alguém que possui extrema confiança em seu taco. Isso é tão chato quanto assistir propaganda eleitoral três vezes por dia. Quem tem conhecimento necessita apenas saber que tem e não sair expondo a torto e a direito. Albert Einsten já dizia “Precisamos tomar cuidado para não fazer do intelecto nosso Deus. Ele tem músculos poderosos, é verdade, mas não tem nenhuma personalidade.” E se Albert Einsten disse isso, quem somos nós, pobres mortais, para contestá-lo? Então... Só nos resta refletir. E bom silêncio a todos!
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